ERA das PRINCESAS & dos PRINCIPEZINHOS – conheça as consequências

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Queridos pais,

Estou com a neura. Fico sempre quando falo deste tópico. Desculpem qualquer coisinha! 🙂

Era uma vez, uma criança que chorou “baba e ranho” enquanto assistia ao casamento real do Harry com a Megan… viram esse video a circular na internet?

CHO-CAN-TE! Tenho pena desta miúda, até. Há quem se ria… bom, eu deu-me vontade de chorar… imenso. A pequena de 5/6 anos, não entendia o porquê, se era Princesa, de não ter sido convidada para aquele casamento e a mãe, pacientemente, explicava que ali só vai a nobreza, Reis e Rainhas e Princesas e Príncipes. Mas ela, não convencida, continuava “mas e eu? Eu sou uma Princesa e ela não me convidou“. Super triste. A mãe disse “Tu não és uma Princesa verdadeira“. Eu penso que este foi O momento dela, finalmente, descer à terra e perceber a grande embrulhada/mentira que os pais lhe haviam contado a vida inteira. Triste, não é? Eu achei…

Bom, mas na sequência do artigo “O Bullying começa em casa” (https://carolinavalequaresma.com/2018/04/07/o-bullying-comeca-em-casa/). Oiço uma quantidade louca de pais que me escrevem, que me falam, que dizem e apresentam os seus filhos como Princesa e Princesinha (ggrrrrrrr). Confesso que penso logo: pronto, vem aí problema… dos grandes!

Mas está tudo doido? Esta geração que nem a capacidade para ficar sentado a ver um filme da Disney até ao fim, ou que nem nunca assistiu aos clássicos da Disney, com grandes lições de moral, tipo o Rei Leão, agora desatou tudo a ser princesa? No meu tempo, no tempo da Disney não havia nada disto, nada deste tratamento. OBRIGADA MÃE, tios, tias, avós e afins! Salvaram-me, mesmo sem saber, a vida.

Toda a vida fui a Caroró (diminutivo de Carolina, não passava disto!) para a minha mãe, não tenho segundo nome, por isso, quando me chamava de Carolina… Ui. Portei-me mal e a mãe estava, com razão, chateada.

Cresci sem manias, sem delicadezas a mais, sem grandes vaidades, feminina, mas sem grandes vaidades, sem achar que o mundo era cor-de-rosa.

Sim! Porque eu sou do tempo de ver a RTP1 ligada todo o dia e o Telejornal à hora do almoço e do jantar e a minha mãe e avós diziam para não falar porque queriam ouvir aquela notícia, pouco importava se era da guerra, ou da fome em África. Eu achava aquilo uma seca na altura, mas ouvia tudo também e via, independentemente, das imagens chocantes, ou não.

Já as Princesas de hoje crescem com uma perspectiva completamente diferente do mundo, aliás esse mundo “feio” não existe. Só vêm os seus canais de bonecos e da Princesa Sofia a dar na TV, o que seria verem imagens chocantes? Ficariam traumatizadas para a vida toda. As Princesas são cheias de “9 horas”, mas sem maneiras nenhumas à mesa, por exemplo. Acho graça o contra-senso.

Com excesso de atenção, geralmente, e com roupas do bom e do melhor. Laços gigantes no cabelo, um bikini para cada dia de férias. E sujarem-se? Ui que drama. Logo vem uns gritinhos, com as mãos a abanar “mãe, mãe, mãe” para que venha a correr atender o que a Princesa REIvindicou. Nunca achei que vivia num castelo e que o castelo da vizinha era maior do que o meu. Muito menos as tearas e os fatos e a decoração do quarto.

Acho que andamos a educar as Princesas de agora para a busca patética da perfeição e para a competição entre miúdas. E quantas não vejo a olhar de cima abaixo as suas “amigas”. Que medo!

O que serão quando crescerem? Eu digo o que serão e conheço já umas poucas:

  • narcisistas, que só olham para o seu umbigo, sem perceberem que o Mundo não gira à sua volta.
  • Terão nojo de tudo e de todos, desviarão sempre o olhar de um sem abrigo, e se possível ficam com cara de nojo.
  • Serão picuinhas a comer e não só.
  • Hiper-sensíveis (qualquer arranhão é um filme), sangue então, uma tragédia.
  • Serão adultos de porcelana, frágeis que dói – à primeira contrariedade estarão em psicólogos com depressões, quem sabe com problemas tipo a anorexia. Têm de ser perfeitas, não se esqueçam.
  • Caprichosas – tudo deve ser do seu jeito, senão…
  • O centro das atenções, mas sem auto-confiança nenhuma.
  • Competitivas – não gostam que alguém seja mais gira ou melhor do que elas.
  • Não têm facilidade em criar empatia com e pelos outros e têm dificuldade em criar laços fortes e verdadeiros, relacionam-se muito com este ou com a aquela por interesse.

Conhecem alguma Princesa assim? Eu conheço, infelizmente, tanta gente assim. 

Já os Príncipes são crianças, normalmente:

  • abebezadas, infantis, que falam à bebé…
  • que exigem coisas e mais coisas, normalmente, num tom de grito e insistente, até que os pais venham a correr.
  • Andam em bicos dos pés, com as mãozinhas penduradas., como se andassem aos saltinhos.
  • Também eles têm excesso de sensibilidade, usam gel e penteados no cabelo, para não falar nas roupas…
  • e na famosa super protecção!

São um estilo tipo os góticos que se vestem de preto e usam aquelas correntes, gostam da noite, adoram filmes de terror, são mais fechados, não demonstram com facilidade os seus sentimentos, tocam bateria sozinhos no quarto e têm o quarto cheio de caveiras, sabem?

Bom, INFELIZMENTE, é tipo isso, mas noutro estilo. Estamos a criar um moda nova, um ESTILO NOVO DE VIDA, de CRESCIMENTO e DESENVOLVIMENTO – a moda das Princesas e dos Principezinhos, veio, INFELIZMENTE, para ficar 😦

♥ Pois eu dispenso Princesas e Principezinhos, pais. Mesmo. Tratem os vosso filhos pelo nome. Acrescentem aspectos e características positivas e trabalhem com eles o resto. Não queiram, por favor, que eles sejam frágeis. PRECISAMOS NESTE MUNDO de ADULTOS FORTES e CAPAZES, RESILIENTES e RESISTENTES, CORAJOSOS e SAUDÁVEIS. ♥

Pessoalmente, gosto muito de um outro estilo: mais prático, mais solto, mais informal, caramba! MAIS CRIANÇA! Elas não são bibelôs, pais.

Precisam é de se sujar, de andar descalças, de dançar na chuva e saltar nas poças de água. Precisam de deixar de ser queixinhas por tudo e por nada e super protegidas, precisam de ser mais rijas quando caiem, levantarem-se, sem aguardar que vocês apareçam. Um arranhão? E então? Um drama? As princesas tendem a ser dramáticas! Que canseira! Que chatice!

Pais mais queridos, só quero dizer-vos que, por bonito e poético que possa ser a expressão “PRINCESA E PRINCIPEZINHO” é, também, muito mais do que isso… fica o alerta! Tudo o que chamamos às nossas crianças é o que eles irão ser. E ser Princesa está longe de ser um Humano a viver na vida real. Eles levam tudo à letra e vestem “o papel”.

Entendem a importância do VOSSO papel e o peso que vocês têm na vida destas crianças, que são os vossos filhos?

Contem comigo sempre, se sentem que realmente, vivem com uma Princesa ou com um Principezinho, mas que já estão cansados… e exaustos da situação. Estou aqui para vos ajudar!

Juntem-se a mim neste movimento contra o Bullying lá em casa, contra este novo estilo de vida: ser Princesa ou Príncipe… Vamos só permitir que eles sejam o que são: crianças e, um dia, adultos equilibrados. 

Adoro-vos a todos!

OBRIGADA por este bocadinho,

Carolina ❤

4 thoughts on “ERA das PRINCESAS & dos PRINCIPEZINHOS – conheça as consequências

  1. Achei interessante o conceito do movimento, até porque, bem vistas as coisas, o bullying começa mesmo em casa.

    E realmente não há mundo que chegue para ser governado por tanta princesa e príncipe. 🙂
    De resto, nada contra a fragilidade. Contudo, é algo que também precisamos de aprender a Ser. Saber ser frágil, pode ser uma força (ou super-poder)! 😉

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    1. Olá querida Susana. Que bom que gostou 😊 deixe-me só esclarecer que quando uso o termo fragilidade é no sentido, da criança ou adulto ser de ‘porcelana’, fácil de quebrar, fácil de ir abaixo e voltar à tona. É nesse sentido, que se opõe a ser mais forte e resiliente. Não se deixar ir nas opiniões dos outros e não ser demasiado picuinhas e, com facilidade faz drama da sua vida. É por aí. Frágeis somos todos e temos todos momentos assim 🙂 obrigada. Beijinho bem grande ❤️

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  2. Aceito e concordo com tudo que disse, veio naente um dos episódios que vivi na escola de meu na hora da saída, colegainhas que disputavam t_shirts do homem aranha, ou dos super herois, quem tem ok é, ok pai disse que ele é, enfim, nunca fui muito ligada nesse aspecto de querer que ele vista ou use isto ou aquilo pela imagem que a peça traz, daí que quando coleguinha em questão viu a t_shirt dele diferente, disse que ele não tinha, ele com um sorriso respondeu: homem aranha, isso não interessa, minha sempre será fixe pk foi minha avó que me deu. E se ir contar outras, ui FF nunca mais término, concordo sim, criança tem que ser criança, quanto os programas meu tem5 e adoro seriados da Disney junior, segundo ele são fixes e dão graça, uma verdade lhe digo adoro tudo que recebe d presente, e melhor se forem ferramentas.

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