FAMÍLIAS MONOPARENTAIS – Testemunho real de uma “MÃEDRASTA”

people-2566854_1920

Queridos pais,

Pais que se separam, famílias que se quebram, guardas que se partilham, corações que se partem, fotografias que se rasgam… depois da tempestade, vem a bonança… O Sol volta a brilhar, os corações voltam a colar e é todo um regressar a ACREDITAR.

Mas e agora? Encontrei a homem/mulher da minha vida, aquele/a capaz de fazer tudo por mim, MAS eu não estou sozinho/a. Eu não sou SÓ EU, sou eu mais o/a meu/minha filho/a.

Aceitas-nos mesmo assim?”

Portugal é o TOP 1 em número divórcios. Por isso, imaginem a quantidade de famílias que vivem em situações destas. Muitas, muitas. A tendência é aumentar. Se eu pudesse, criava uma casa de recuperação para famílias, com terapias de choque e só saiam dali curados e (re)apaixonados. Adorava ir a todas as Bodas de Ouro desses casais. Que alegria, acompanhá-los e assistir ao seu crescimento maduro e forte como FAMÍLIA QUE FORAM E DECIDIRAM, um dia, constituir e SER.

CONTUDO, bem sei que não funciona assim e enquanto este projecto não existir, acima de tudo, o que eu QUERO mesmo são famílias felizes com PESSOAS FELIZES. E isso nem sempre se consegue à primeira, ou à segunda tentativa… como tal, uma família que deixou de o ser, dá origem a outra família e, muitas vezes, assim todos estão mais felizes e tranquilos. Que é o que realmente importa.

Hoje partilho uma destas famílias. Um discurso do mais amoroso e inspirador que há, na primeira pessoa, alguém que abraça uma nova vida com alguém que não está sozinho

Que sentimentos, ideias e coisas lhe passarão pela cabeça? Estará a ser fácil? É sempre um desafio, não acham?

Espero que gostem!

“Um…que são dois!

Ao longo da nossa vida, opinamos sobre tudo, mesmo sem passarmos por experiências que o validam. Eu não era excepção, no caso particular de famílias quebradas e filhos de relações anteriores, sempre me manifestei com algum receio, achei que nunca quereria ou conseguiria viver uma situação assim, era demasiado complexo. Quem sabe, por ironia do destino, estou a viver essa situação já há algum tempo e foi a minha “chapada de realidade”, para perceber que do falar ao viver…vai uma diferença abismal. “Um homem divorciado, uma filha. E agora?” O senso comum de qualquer pessoa, mesmo que não tenha passado por separações complicadas, tem presente que há uma ferida imensa para sarar, e é importante manter a sanidade quando existem filhos. Esses sim, são a derradeira busca diária pela felicidade e prova de que dentro de alguém tão pequenino, existe espaço para um amor maior do que aquele que “gente grande” possui. Tendo isto bem presente, caí de páraquedas, mas com uma aterragem suave! Ainda assim, como explicar a uma criança tão pequena, que os pais não estavam juntos e que eu ia ocupar um lugar, que aos seus olhos não era meu? Como tentar sequer, disciplinar e educar alguém que poderia nunca respeitar a minha palavra, estando no direito de me chamar intrusa? Não tendo filhos, e sendo completamente inexperiente a este nível, pus-me na pele da M., cada vez que fazia uma birra, cada vez que proferia algo desagradável, cada vez que fazia perguntas desconfortáveis e o sentimento é desolador. Está na idade de perguntar porque é que o céu é azul, e não de perguntar porque é que as relações falham! Queremos dizer que o mundo é perfeito mas não podemos fazê-lo de forma tão floreada, todas as perguntas devem ser respondidas, sem tabus ou omissões desnecessárias ao que é adequado. E acima de tudo, a normalidade tem de existir numa situação que por si, é considerada anormal. Nunca escondemos nada que achássemos importante, falamos de relações, de amor, de tristeza, e sempre que a M. fala da figura materna ou da família, seja quem for, motivamos a conversa. Para que perceba que sentimentos negativos não existem, para que veja que é possível sermos todos felizes dentro daquilo que a vida trouxe. Acima de tudo, aprendi a ser menos egoísta e a dar mais de mim. Aos dois, pai e filha. Aprendi que o tempo ajuda a reforçar a cumplicidade, e que a nossa é visível de tão boa e especial, aprendi que enquanto casal temos de dar o exemplo do nosso próprio amor e estabilidade para que ela perceba que há amor possível, há amor capaz e palpável. Aprendi que educar é um desafio tão grande para mim, quanto para ela. Porque aprendemos as duas a cada passo que ultrapassamos, ganhei tácticas para o fazer, de forma a ser tolerante mas respeitada. Creio que falar até sermos compreendidos, ter bom senso, não levantar a voz e ouvir, são chaves de sucesso. Às vezes, tudo o que precisam é atenção, querem ser ouvidos, têm esse direito. E têm o direito à tristeza, e ao seu espaço de reflexão. E o mais importante, amor. Uma criança nunca terá amor a mais se souber que o mesmo é preocupação e ternura. Não há amor em excesso, não há brincadeira em excesso. Temos tempo, para dosear o amor quando crescemos, temos tempo para o compreendermos (ou não) e nos desiludirmos com a incapacidade geral de saber como o praticar. E assim nos tornámos uma família. Todos os dias aprendemos com o melhor, aprendemos com o menos bom e o meu desejo é que todas as famílias aprendam a relativizar o negativo, especialmente para bem das crianças. Não há nada que não se resolva, com uma boa dose de paciência e muito afecto. O resto vem, e que venha por bem!”

Quem aí em casa passa por uma situação semelhante? Quais os vossos desafios? Os maiores? Os que já enfrentaram? Está a ser difícil? O que mudou em vocês com esta experiência? 

Adoraria ouvir o vosso feedback. 

Quanto a esta “MÃEDRASTA” linda quero agradecer este texto cheio de amor. A M é uma miúda cheia de sorte, porque agora a família dela está ainda mais rica. E que contributo maravilhoso vais dar na sua educação e crescimento. 

 A todas estas “mães e pais” mil beijinhos e um OBRIGADA gigante. Que prova de amor estão a dar aos vossos companheiros (que mostram ter feito a escolha certa) e que seres humanos incríveis que vocês são. 

Adoro-vos! Toda a fé, foco e força deste mundo para todos os desafios que daqui poderão surgir!

Beijinhos bem gordinhos,

Carolina ♥

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s