Famílias monoparentais – testemunho real de um PAI

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Queridos pais… e mães,

Quero partilhar convosco um pouco daquilo que foi e tem vindo a ser a minha experiência de vida. Eu cresci numa família assim, chamada, monoparental, mas com avós e a mãe. Não sei sequer se isto tem algum nome específico – pouco importa também. A minha mãe foi mãe e pai, às vezes até a irmã mais velha, outras vezes até parecia a mais nova. Fez o que pode sempre, o melhor que sabia.

Tenho pais que me dizem “Carolina, ele não tem o pai presente então tentamos compensar”. Compensar de quê? Daquilo que VOCÊS pensam que lhe faz falta? Quem não cresce com pai e mãe juntos, não sente falta do que nunca teve. Faz sentido? 🙂

Então, mais uma vez aqui estou eu na tentativa de vos poder aliviar, de alguma forma, de algum sentimento de culpa, de medo, de compensação, de todos esses fantasmas.

Hoje em dia, os Pais já desempenham um papel muito mais activo na vida dos filhos. Avé! As coisas estão, finalmente, a encaixar e a fazer sentido. Mas, por outro lado, é também cada vez mais comum vermos famílias de 3, separadas, repartidas, em que o casal não conseguiu superar todo este desafio da vida em conjunto e acabam por ir “cada um para sua casa”. Quando há filhos, este assunto, que já é sensível o suficiente, torna-se num enorme pesadelo. Porque afinal, quando o casal se decidiu separar, os filhotes, muitas vezes, por serem pequenos, nem se lembram do que é ver os pais juntos, mas e o casal? Esse sim! Lembram-se da emoção que foi quando chegou a notícia de que o bebé vinha a caminho, depois todas as idas às consultas, onde juntos, ouviam o bater do seu coração e imaginavam se o nariz seria de um ou do outro, a cor dos olhos e do cabelo. Depois, o bebé nasce.

Um bebé que nasce é fruto dum enorme amor e nasce de uma equação mágica do 1+1= 3. Seguem-se as noites de apoio, de cansaço, segue-se a emoção dos primeiros passos, das gracinhas, do primeiro dia de escola, etc, mas, entretanto, há “O” momento: O da separação!

Aqui, pais e mães, para além de gerir todas as mudanças e sentimentos inerentes à nova vida, literalmente, com “o menino nos braços” a questão que não pára de surgir é: “e agora?” Como decidem eles viver cada um sem o outro e agora ter de abdicar, nem que seja por alguns dias, fins de semana, de momentos com o(s) filho(s)?

Decidi então pedir a este Pai, com “P” GIGANTE que eu admiro tanto, tanto, para me falar um pouco daquilo que eu imagino que sejam os seus desafios e as suas dores. Não influenciei em nada a escrita. Acredito que muitos desse lado sentirão o mesmo, sendo pais ou… mães. A guarda partilhada parece ser o sistema mais justo dentro da injustiça que é a separação de uma família. A equação altera-se para: 1-1= 1/2. 

“Uma vez ensinaram-me que quem cuida ama e que quem ama cuida e este é e tem sido o meu maior desafio desde que sou pai há aproximadamente 2 anos em regime de “guarda partilhada”, ou seja, não poder estar ao lado de quem verdadeiramente amo todos os dias e nesse sentido não me ser possível cuidar, estar, ser e amar.
Cuidar porque enquanto pai amo cuidar da minha filha, sou inteiramente responsável por ela e não há maior prazer na vida do que vê-la crescer e ter a noção que contribuo diariamente para que isso aconteça.
Estar ao lado dela, tão simples quanto isso, estar aqui, ali, onde ela estiver e beber de toda a energia positiva que ela me transmite, as suas gargalhadas, a sua boa disposição, a sua presença.
Ser pai, literalmente ser pai pois não há na minha opinião maior amor do que amor de pai e amor de mãe. Ser pai mudou toda a minha vida, trata-se de um sentimento diário e eterno de compromisso, lealdade e protecção por aquele ser e é mais gratificante ainda sendo o sentimento recíproco na maioria das vezes.
Amar todos os dias, não amar pela metade mas amar sempre, hoje e amanhã, é ou não é o que faz sentido? Amar sempre bolas! É a minha filha, é quem mais amo e por uma situação que eu não escolhi, sou forçado a abrir mão dela porque simplesmente a vida assim funciona. Não é justo!!
Este é e sempre será o meu maior desafio porque quem ama cuida e quem cuida ama, simplesmente assim e tudo fica mais difícil quando juntas a saudade. Essa será eternamente uma constante, a juntar a este rol de desafios…”
Quanto às crianças pais, não se preocupem (tanto), elas adaptam-se, desde que vocês estejam bem com vocês mesmos, elas estão bem com o resto. Elas crescem e desenvolvem-se bem, se se sentirem amadas dos dois lados, sem guerras, sem competições, por favor. Permitam que as vossas diferenças e mágoas de casal, que nada têm a ver com aquele fruto, interfiram com ele ou o mínimo possível. Nunca se esqueçam que o fruto foi criado com o AMOR imenso que vos uniu, um dia.
Procurem antes demais, resolverem os assuntos e fantasmas um com o outro em casal, para que consigam amenizar e tranquilizar. Muitas vezes, o perdoarem-se, outras vezes o perdoarem o outro e aceitar é a forma mais inteligente de lidar com esta situação. A mais difícil, bem sei. Mas vamos fazer um esforço?
Desejo toda a sorte neste desafio enorme de reconstruir a vida, os planos e, no fundo, os sonhos, agora, sem uma parte, que deixam umas saudades imensas.
Coragem! Para seguir em frente e para juntos, como pais daquela pessoa pequenina, consigam “separar as águas” e COMUNICAR o melhor que conseguirem.
Desafio-vos a darem a vossa opinião sobre o tema, dêem testemunhos, falem das vossas experiências e daquilo que consideram ser o mais difícil para vocês.
Este tema é cheio de desafios para os pais, mães, para os amigos deles, para os novos parceiros, para os familiares, para os nossos corações.
Para as crianças, elas irão entender da melhor maneira, maior for a comunicação entre vocês, sem raiva sobre o outro, sem competição, por favor, sem competição! Sem inseguranças de que ela vai gostar mais da mãe ou do pai… Ela ama-vos! Sempre e incondicionalmente. Sejam conscientes. Sejam ADULTOS!
Volto à minha experiência pessoal, para dizer que nunca senti falta de um pai, que me lembre, pelo menos. Tive referências masculinas que nem perto de mim viviam, por exemplo. Um dos meus tios foi a minha referência maior, alguém que admiro muito, assim como também tenho, tias e a minha madrinha que foram igualmente importantes no meu crescimento e pilares essenciais na minha formação pessoal e não só. Vêem onde quero chegar?
Nem nunca sequer me lembro de ficar triste com o Dia do Pai e com os presentes que fazíamos na escola. Oferecia-os ao meu avô que tanto amor me deu e que referência enorme foi para mim.
E, em tom de confissão… quero muitíssimo ser mãe e adoptar está nos meus planos mais profundos e sérios. Adoptarei, sem hesitar, mesmo sem parceiro de vida, mesmo sem marido ou namorado, mesmo sem um PAI. Acredito que seremos felizes igualmente, porque eu consegui ser, enquanto criança. Tudo isto me fez crescer.
Assim como vocês serão felizes! Empenhem-se na vossa regeneração e renovação. Vai tudo dar certo. Confiem e relaxem!
Pais, um dos meus lemas é “PAIS ESTÃO PRIMEIRO” e aqui é mais um exemplo, vivam e aprendam com as crianças a adaptar-se à nova vida que melhores dias trará.
Estou aqui para vos ouvir, para vos acompanhar e ajudar neste e tantos outros desafios aí de casa.
Contem comigo!
Obrigada por estarem desse lado.
Beijinho nesses corações,
Vossa, Carolina ♥

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