7 Sinais que o seu filho está com Falta de Limites

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Queridos pais,

Educar é difícil. É um desafio sem fim. Na maior parte dos casos o que torna este desafio ainda maior é a falta de limites. Os limites são, muitas vezes, a chave para o sucesso. É necessário sabermos os nossos limites para que os outros também tenham a noção deles.

É frequente, termos de os relembrar, mas é um trabalho que vale tanto a pena.

Esclareça-os para si, depois aconselho a mostrá-los ao mundo, dentro e fora de casa. Isto protege-nos e, ao mesmo tempo, estamos a respeitar-nos e a fazer com que os outros nos respeitem. Isto não é só com os filhos, é com todos os membros da família, colegas de trabalho, chefes e etc.

Vamos perceber esta necessidade de impor limites como um bem de primeira necessidade. 

É no equilíbrio de amor e limites que a vida flui tão naturalmente saudável na relação com nós próprios e com os outros.

Segue uma lista de sinais que mostram que o seu filho pode estar com excesso de atenção e, naturalmente, com falta de limites.

1. É esquisito para comer

Muitas crianças dizem, várias vezes numa só refeição: “Não gosto disto! Não gosto daquilo!”. Isto é (excesso) de poder e de confiança. Estão a testar e a experimentar, porque normalmente, “ganham” esta guerra entre a sua vontade e a vossa. É para testarem a vossa teimosia e para vos mostrar que, eles mandam, que só comem se quiserem e para ver a vossa reacção.

Se costuma achar que “pois, se calhar não gosta mesmo porque eu quando era pequena também era assim!”, temos o “caldo entornado”.

Há pais a cozinhar refeições à parte, crianças com um cardápio muito repetido e reduzido (massa com salsichas, bolonhesa, douradinhos e canja, por exemplo), porque os pais acabam por só dar aquilo que eles acham que elas vão comer e acabam por, para não evitar “guerras à mesa” CEDER, para que a refeição possa ser rápida e tranquila.  Verdade? O que estamos nós então a fazer com isto? O melhor para eles, oferecendo um menu variado? Não creio. Estamos a permitir que deixe de ser “o esquisito” da família? Não creio. A ensinar que aquilo que os pais comem é bom e que os pais sabem o que é o melhor para eles? Não estamos.

Mude a sua postura. Atreva-se a cozinhar de tudo, sempre. Não considere se ele gosta ou não e sirva, com segurança. Não dê “abébias” e não comente baixinho “ai, vamos lá ver se ele come isto. Não vai gostar de certeza”. Sem medos. A vossa postura determina a atitude dele, pais. Vamos oferecer variedade e não ligar ao “eu não gosto!”, sem ainda ter provado, sequer. Uma criança que testa os vossos limites é uma criança que diz “não gosto!”, com frequência e faz da hora da refeição uma hora excelente para medir forças.

2. Esconde-se atrás dos pais quando chega alguém

Habitualmente, este comportamento demonstra insegurança, confundida com vergonha. Estas crianças, normalmente, resistem em falar com os outros, mesmo que sejam crianças. Passado um bom tempo, poderão, eventualmente, começar a abrir e a sair do pé dos pais, muitas delas, podem ficar horas só ali ao colo, sentadas, a olhar para tudo.

Neste caso pais, evitem prestar atenção ao que se está a passar e não reforcem dizendo “ela é muito envergonhada”, não justifiquem, não reforcem com desculpas. Encorajem sempre e desde sempre a ir, a brincar, não sejam muito tolerantes quando eles os empurram porque estão a meter-se debaixo das vossas pernas. Descontraiam. Mas não compactuem muito com o “anda aqui ao colo da mamã, pronto. Fica aqui”, como se ela, naquele caso, precisasse de alguma protecção extra. Isto tem o efeito contrário, promove o sentimento de insegurança, que não tem qualquer sentido quando estamos rodeados de amigos e família.

Antes de ir para os sítios, procurem dizer o que vai acontecer e quem vão ver e que vamos cumprimentar toda a gente e brincar com os amigos. Alguma “preparação” neste sentido pode ajudar.

Mas isto parece representar que em casa é que a criança se sente mesmo bem, porque normalmente é ela que dita as regras e os pais ficam sempre por ali por perto e quem controla as brincadeiras são elas também. Muito importante ajudá-las nisso, revertendo esta situação.

Isto é muitas vezes sinal de excesso de atenção que acaba por, socialmente, se traduzir em falta de confiança nela própria.

3. Dá ordens e não obedece 

As crianças com falta de limites são, muitas vezes, chamadas de “mandonas” ou há até quem diga que “ela é muito teimosa, só faz aquilo que quer”. Para não falar do rotulo da “personalidade forte” – dos meus preferidos, dos mais populares que oiço e dos mais assustadores.

De uma forma geral, crianças dão ordens, não só aos amiguinhos da escola, fazem isto, sem qualquer problema com os pais: “dá-me isso!”, “Faz-me um desenho!”, “Anda brincar!”. Normalmente, o uso das “palavras mágicas” não se enquadra, nem faz parte.

Pais, aqui o ponto a melhorar é a vossa posição em casa. Quem toma decisões? Quem manda? Quem sabe o que é o melhor? Vocês pais e só vocês. Nunca dispensem as boas maneiras, por favor. Não se tornem “pais-escravos”, máquinas que elas mandam e desmandam.

Exigirem o uso das “palavras-mágicas” cria um respeito enorme entre todos, assim como procurem alterar a frase que tantas vezes eles dizem: “eu quero…um copo de água!” para “Podes dar-me um copo e água, por favor.” – Faz toda a diferença!

Contudo, quando nós lhes pedimos favores, eles nem sempre cumprem. Isto porquê? Nós não devemos pedir favores quando estamos a dar uma ordem. Entenda-se “dar uma ordem” por guiá-los a fazer aquilo que precisamos e/ou queremos que eles façam tipo “vai larvar os dentes!” ou “são horas de lavar os dentes. Vai lá!”. Se nós dissermos “podes ir lavar os dentes, se faz favor?”, faz com que aquilo que nós queremos que eles façam se transforme num favor a nós mesmos que estamos, ainda por cima, a dar-lhes a hipótese de dizerem “Não, não quero e não posso”. E depois?

Então, crianças que desobedecem aos pais é habitualmente falta de limites e falta de percepção de quem é a autoridade ali em casa. Então, é comum que quando alguma “ordem” é dada ou favor pedido eles neguem e gozem com os pais. Habitualmente, a situação acaba com discussão, aborrecimentos e, eventualmente, uma palmada ou outra, infelizmente. A comunicação certa é essencial para que eles levem a sério as nossas coordenadas e as sigam sem dramas. 

4. Precisa dos pais para adormecer 

É mais comum do que se imagina e é frequente ouvir por parte dos pais, frases do género: “eu não consigo que ele fique sozinho no quarto!”. Este “eu não consigo que ele fique, faça, coma, vá, etc” já é por si só uma demonstração de quem está a comandar a acção: “Ele” é uma criança; o “eu” são vocês, adultos. Então, como pode ser o “ele-criança” a comandar “vocês-adultos”? O que falta aqui para isto não estar a acontecer? Que sentido faz ser “ele” a dizer, a mandar, a comandar, a manipular aquilo que vocês adultos querem ou não querem?

Importantíssimo perceber que a autoridade são sempre, sempre vocês. Como podemos deixar que uma criança tome conta? Não pode! Não sabe como e o que fazer! Se muitas vezes nem nós sabemos! E não é porque nós somos autoritários e rudes, mas porque elas não têm essa capacidade de decisão. As crianças adoram ter coordenadas e saber que os pais são capazes de as dar. Faz com que se sintam seguras e confiem em vocês.

Muitas vezes, a questão do sono é toda comportamental. Por isso, sugiro que tomem uma posição sobre aquilo que querem fazer e COMUNIQUEM. Não perguntem! Comuniquem o que querem fazer e façam-no. Não há nada que vocês não consigam, pais.

5. Birras e amuos constantes

As crianças que amuam e fazem birras constantemente tendem a ser crianças com algum desequilíbrio emocional. Isto não significa que elas estão doentes ou a precisar de ajuda psicológica. Mas significa que estão a precisar dos pais dela. Não para dar e dar e dar mais e mais, mas para as orientar, para tomarem as rédeas da situação. Estão a precisar urgentemente de pais mais seguros, mais tranquilos.

Estas crianças estão a precisar muito de limites, para que, emocionalmente, consigam equilibrar as suas emoções, descontroladas de momento. Estes limites têm que ser, forçosamente, impostos pelos pais. Para isso, os pais necessitam de entender a importância de estarem seguros das vossas decisões, para não haver “limbos” de espécie alguma.

Não haver sentimentos de culpa pelo meio e, muito menos, ou o menos possível, sentimentos de que assim “ele não gostará tanto de mim, porque eu quero ser o melhor amigo dele”. Isto não existe, pais! Se estão a traçar este caminho, peço-vos que parem para pensar e decidam voltar para trás. Sejam pais à séria. Eles vão amar-vos tanto mais vocês derem amor com limites. Confiem e acreditem. Eles vão contar e confiar em vocês, vão saber que o que estão a fazer é para o bem deles, mas também para o vosso. O respeito é isto: ver o outro e não pisar. É saber os limites de cada um. Sem isto, tudo se mistura e atrapalha e a vida passa a ser um fardo pesado, na nossa própria casa.

A atenção em excesso promove estas birras e amuos constantes.

Quando as crianças percebem que a vida se desenrola focada no seu bem-estar, que as saídas de fim de semana são para ir aos parques ou a sítios onde elas poderão estar entretidas e porque elas vão gostar; a refeição é feita ao seu gosto, os olhos não saem de cima delas; durante as refeições fala-se do dia delas e enaltece-se o que elas fizeram ou deixaram de fazer; quando os adultos conversam, mas elas chamam e a conversa pára para as ouvir, quando na ida à praia a mãe lia um livro e conversava com o marido, passam a abrir buracos na areia e a fazer castelos, porque o filho EXIGE a atenção deles a cada segundo;  e tantas outras situações. ATENÇÃO PAIS! O excesso de atenção estraga e destrói relações. E pior, desgasta-vos, torna a vossa missão mais difícil e as crianças sentem que nunca têm a atenção que precisam e andam sempre nesta luta.

6. Ofende e bate nos outros

Eu digo, com alguma ousadia, que todos nós, um dia, tivemos vontade de bater em alguém, e, muitos de nós, chegou mesmo a fazê-lo. As crianças passam pelo mesmo. Estão ainda a aprender a lidar com aquilo que sentem e a controlar vontades e emoções. Então, tudo pode acontecer. MAS fazer isto por sistema não deve ser permitido, não se deve achar graça e deve ser controlado. Devemos ajudá-los a perceber que não se bate e dizer “eu sei que estás chateado, mas não é assim que se resolve”: E não é. Essencial é não bater na criança que acabou de bater. Senão qual a lição? Se bateres levas? Então qual o sentido? Esperamos que a criança não bata e aprenda connosco, batendo?

Quanto às ofensas verbais, é muito idêntico, é normal que, se costumamos chamar “burro” a alguém, a criança, por exemplo, repita. Há crianças “sem filtro”, tipo aquela personagem do “Tonecas”. Não passam de crianças sem limites que acham que podem dizer tudo o que lhes vai na alma, mesmo que sejam inconvenientes e desagradáveis com os outros. São crianças com falta de limites, em que até isso lhes é permitido, sem pedirem desculpa, que crescem, habitualmente, sem sequer ter a noção dos disparates que estão a dizer, porque todos se riem e acham que ela é muito engraçada, há quem chame de “regateira”, pessoalmente, prefiro dizer que há por ali uma enorme falta de limites e educação.

7. Não brinca sozinho 

É um comportamento típico de uma criança com excesso de atenção. De pais que acham que devem brincar com elas o tempo todo, que dedicam o tempo que têm com eles a brincar e, no fundo, os adultos, passam a ser crianças, de novo.

Brincam, quase sempre segundo as regras delas, muitas vezes, conseguimos ver a cara de “frete” dos pais, mas “coitadinho do miúdo, vai lá tu agora brincar com ele um bocadinho!”. Já lá vai o tempo em que os mais pequenos brincavam na areia na praia e os pais liam os seus livros. Vemos com tanta frequência pais a serem “arrastados” pelos filhos para irem brincar com eles e eles ali estão, pacientes, a acartar baldes de água a cada 2 segundos, nos parques a mesma coisa, as crianças, calçadas e vestidas com fatos de princesas, brincam com os pais sempre de olhos e mãos sempre por perto. Há momentos em que me apetece gritar “DEIXEI-ME SER CRIANÇA UM BOCADINHO, DEIXEM-ME SER LIVRE, POR FAVOR!”

Oh pais, poupem-se! Brinquem quando quiserem e quando vos apetecer. Conversem com os vossos filhos ao jantar, quando estão juntos, estejam juntos, mas não caiam nisso. A atenção é assim mesmo: quanto mais eles têm, mais eles querem. E nunca estão contentes quando tudo gira à sua volta. Parece contraditório, não é? Mas faz parte deste lado narcisista de uma criança, que deve ser contrariado e contornado por nós, não suportado por nós. 

Bom pais, em tom de despedida, peço que analisem cada um destes sinais para que os melhorem. Não só para o bem deles, mas para vosso bem, principalmente. Se a parentalidade está a ser tarefa dura, imagino que estes sinais estejam presentes. Mas pais, se quiserem viver melhor e alterar esta situação, acreditem, está apenas nas vossas mãos.

Não se esqueçam que “a mão que embala o berço, é a mão que governa o mundo“.

Estarei sempre aqui disponível para vos ajudar no que precisarem, nesta caminhada que deve ser de sonho, com pedras no caminho, não um caminho feito de pedras.

Marquem já a sessão de esclarecimento, gratuita e sem compromisso em: http://me.carolinavalequaresma.com/sweet-dreams – sono e comportamentos.

Vamos lá fazer da vossa família, uma família muito mais feliz! 🙂

Beijinho e abracinho,

Carolina ♥

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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