O Bullying começa em casa.

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Queridos Pais,

Se vos disser que o bullying começa em casa? Que acham? Já reflectiram sobre este tema tão actual e que tantas auto-estimas arrasam, diariamente.

Só para contextualizar o bullying é a prática de actos violentos, intencionais e repetidos, contra alguém indefeso. A sua aparente superioridade física, ou intimidação ou até influência que exercem sobre o meio social em que estão inseridos, faz com que a vítima tenha medo dos agressores. Os danos físicos e psicológicos, como podem imaginar, causa danos e feridas difíceis de sarar.

Têm a noção de que há crianças a ir para a escola, bem cedo, já com dor de barriga? Crianças que dormem mal por pensar que no dia seguinte lá vão elas outra vez para aquele pesadelo: “será que amanhã me vão tratar mal outra vez? Que me vão bater ou chamar aqueles nomes horríveis? Amanhã vou para aquele canto atrás da escola pode ser que ninguém me encontre lá.” E o apetite reduz e os olhos deixam de brilhar daquela forma, as notas descem, a concentração fica afectada, assim como a energia. Há muitas crianças a sofrer muito. Muito. A acharem-se feios, gordos, magrinhos, a achar que não têm qualquer valor, qualquer coisa boa. Não têm jeito para jogar à bola, nem para conversar com os outros e correm de forma “estranha”, ou falam de uma maneira “esquisita”. Não têm pais cool. E acreditam piamente que são mais pequeninos que todos os outros. São os “menos”.

Depois, do outro lado, temos os “mais”, aqueles que APARENTEMENTE são os mais fortes, os mais corajosos, os mais “maus”, os mais poderosos, os mais engraçados, os mais espectaculares. Aqueles que rebaixam os “menos”, que mandam neles e os controlam através do medo.

Parece-me claro que, reflectindo sobre uns e outros, os “menos” realmente apresentam uma baixa auto-estima, quase inexistente até, não é? São as vítimas do bullying. Mas… e os “mais”? São o quê no meio disto tudo? São os que têm maior auto-estima? A resposta é NÃO! Não são. Quer uns, quer outros estão em sofrimento. Estão com uma crise gigante de identidade. Uns porque não se consideram, os outros porque só se consideram, desconsiderando os outros. Mas onde começou tudo isto? Onde é que erramos? “Foi na escola, de certeza!” – pensarão alguns de vocês. Não! Por favor, viagem até ao berço. Lembram-se dele ali, tão perfeitinho? Com quem cresceu ele? Quem foi a referência? O que lhe ensinaram? E o mais importante, aqui e agora: o que lhe disseram sobre ele? “és terrível!”, “nunca vi ninguém tão teimoso como tu”, “eu faço isso, não tens jeito mesmo para nada!”, “Deixa de ser parvo!!”, “Que burro!”, “És o maior e o mais forte de todos!”, “esta miúda faz-me a vida negra, é horrível!”, “Ela é uma princesa, mas porta-se tão mal!”, “É igual ao pai, tão bruto!”, “Este meu filho está sempre a fazer disparates, completamente diferente do irmão, que é tão sossegado!”, “És mesmo porco, olha para isso que estás a fazer!”, “És linda, estás sempre linda, és a maior linda da escola toda!”. PAIS, ATENÇÃO! Eles levam tudinho à letra e outra coisa muito importante, eles acreditam em tudo o que vocês dizem.

Não vos acontece dizerem uma piada e eles não perceberem? Eles não têm o entendimento como nós temos. É por isso. Estão ainda a crescer.

Proponho outro exercício também e primeiro, reflectir: e eu? Quantos de nós sentimos que somos confiantes? E porquê? Que nos disseram os nossos pais para sermos e acreditarmos no que somos capazes? Muitos de vocês, concluirão que não são confiantes e lembrar-se-ão do esforço em mostrar que são durante a vossa vida, nos vossos trabalhos, ou na conquista do vosso companheiro, por exemplo.

Pais, precisamos de pais que dizem aos filhos a verdade com AMOR e LIMITES, ou seja, se o desenho do seu filho está bom. Está bom, razoável. Não precisa de ser um “wow lindo, maravilho, nunca vi nada tão bom”. Principalmente, se tiverem a consciência de que ele pode fazer melhor então digam “ficou bem, mas podias tentar pintar melhor, porque sei que se tentares mais consegues.” SEJAM HONESTOS. Não façam o “wow” por coisa nenhuma. Não achem tudo fantástico e que é o melhor, porque o mundo lá fora existe e há melhor. Todos sabemos que sim. Quando enfrentam esse mundo é um choque tremendo que podemos e devemos, aqui sim, proteger e preparar. Isto não é promover a auto-estima, isto é enganá-los de que são uma coisa que realmente e, no fundo, não são. E, mais cedo ou mais tarde, vão descobrir isto.

Do outro lado, temos os que acham que os filhos têm pouco de bom, eles próprios os reduzem, porque é parecido com o pai ou “má como a sogra”, por exemplo. E assim crescem eles: reduzidos, a acreditar que são burros, que não prestam, que não são suficientes, a invejar ser como aqueles fortes e corajosos, que até parecem maiores de tamanho e que assustam, tudo e todos.

Vamos equilibrar estas crianças. Eu diria que as equilibradas são aquelas que sabem que até desenham bem, mas não jogam bem à bola, tentam mas não têm jeito. Entre outras coisas. São aqueles que apoiam os que são vítimas de bullying e de alguma forma os ajudam. Que não se acham um máximo em tudo e ficam frustradíssimos senão são, tornam-se hiper-competitivos. Não precisamos no mundo de adultos assim, nem dos outros que se deixam pisar. Estão ambos em sofrimento.

Queremos crianças SEGURAS de si. Cientes dos seus limites. Emocionalmente fortes, mas com fraquezas claro. Queremos ajudá-los a dar a volta a fraqueza para irem, gradualmente, transformando-se em indivíduos sérios, conscientes, equilibrados e seguros.

Pais, uma vez mais, está nas vossas mãos. Eles são parte vossa e vossa responsabilidade. A maior responsabilidade do mundo é certo, mas foi escolha vossa. Por isso, a fazer que seja bem.

Eu estarei aqui para vos ajudar, sempre.

Um dia feliz, cheio de auto-estima para todos.

Beijinhos bem grandes,

Carolina ♥

P. S. – Nada de os deixar ganhar em jogos, por exemplo, ou fazer de propósito para marcarem os golos para acreditarem que são bons naquilo. Lá está, não é verdade! Por isso, sejam  honestos com eles, sempre.

 

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